Política

23 de maio de 2022

Comitê Lula-Alckmin quer um dos pais do Plano Real para comandar economia

A partir desta segunda-feira (23), a campanha do ex-presidente Lula (PT) e do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) começa, de fato, a distribuir tarefas e dividir agendas com aliados e assessores mas, principalmente, voltar todas as atenções à área econômica.

Seja na estratégia de enfrentamento a Jair Bolsonaro (PL), seja na coordenação do programa de governo econômico, há um consenso entre integrantes do comitê Lula-Alckmin – que defenderam a aliança "ao centro" desde o começo – que a campanha precisa sinalizar, sim, ao mercado com um nome "profissional" que falará sobre economia na campanha.

Um dos favoritos entre interlocutores tanto de Lula quanto de Alckmin é o nome do ex-presidente do Banco Central e ex-presidente do BNDES Pérsio Arida.

Arida, muito respeitado no mercado, é um nome de confiança de Alckmin e ligado a administrações do PSDB. Um dos pais do Plano Real, no governo Fernando Henrique Cardoso, ele também coordenou o programa econômico de Alckmin na campanha de 2018. Em março, Arida teve conversas com Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo, que tem discutido temas econômicos para a campanha de Lula- mas sem ser oficializado como interlocutor do assunto.

Arida, no entanto, não fechou nada com a campanha, mas virou o sonho de consumo de interlocutores de Lula e Alckmin que querem sinalizar ao mercado uma espécie de "Carta aos Brasileiros 2.0".

Na avaliação de assessores da campanha, o anúncio de Alckmin na vice de Lula teve, até aqui, efeito importante mas simbólico: o ex-tucano é uma peça isolada no tabuleiro e o comitê quer que ele atraia "os seus". Arida seria concretizar essa ideia, o efeito do que Alckmin pode fazer pela campanha – ampliando a ideia central da campanha de que a chapa é ampla e não apenas do PT.

Nas últimas duas semanas, a campanha de Lula-Alckmin decidiu fazer também esse "freio de arrumação" na área econômica após o comando da campanha passar a receber diferentes relatos de empresários que o mercado não recebe bem quando a campanha envia como emissário para rodas de conversas a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o economista Gabriel Galípolo, que dizem desconhecer.

A empresários ligados ao PT, integrantes do mercado repetem que o anúncio da chapa Lula-Alckmin causou uma onda de que a campanha pode ir para o centro mas, em seguida, as declarações da cúpula do PT sobre a agenda econômica – como revisão de reforma trabalhista – frustrou setores do mercado.

Por isso, assessores de Lula e Alckmin passaram a defender como prioridades nas últimas semanas que, após o freio de arrumação na comunicação e entre aliados – com a reunião de partidos hoje – a próxima parada seja definir o responsável pela agenda econômica.

Outro empresário que alas mais ao centro da campanha defendem como interlocutor com o mercado é o nome do ex-ministro e empresário Walfrido Mares Guia.

Com informações do G1